terça-feira, 24 de julho de 2012

A SOBREVIVÊNCIA NA FLORESTA - SOLDADOS DA BORRACHA


“Depois de abandonar os seringais aos poucos a floresta vem sendo novamente explorada”.
Imagem

A negativa do Banco da Amazônia (Basa) em continuar o repasse financeiro aos grandes seringalistas, resultaram no abandono dos seringais, nos anos 80. O seringueiro, a alma do trabalho extrativista, foi deixado a própria sorte sem nenhum amparo político ou social restando para esses trabalhadores apenas a alternativa de assumir os seringais. A União dos seringueiros do Estado começou a surgir nesse período e simboliza a luta pela sobrevivência da categoria que continua até hoje.
Em 1980, representantes do Instituto Estadual Florestal de Rondônia fazem um levantamento em todos os seringais do Estado. Cinco anos depois é a vez do Conselho Nacional dos Seringueiros se mobilizar, promovendo o Primeiro Encontro Dos Trabalhadores do Acre e de Rondônia. A reunião acontece em Guajará-Mirim por ser uma cidade de fronteira e resulta na criação da primeira organização de seringueiros.
O ano de 89 é marcado pelo encontro de mais de 300 trabalhadores dos maiores seringais de Rondônia, Pacaás Novas e Ouro Preto. É iniciado o processo que viabilizaria, no ano seguinte, a Organização dos Seringueiros de Rondônia (OSR), primeira instituição voltada para os interesses sociais e econômicos da categoria. Na ocasião, foi definida a estrutura das associações em todos os municípios que deveria ser formada por comissões compostas de um seringueiro titular e um suplente.
Em Guajará-Mirim foram eleitos nove membros e um soldado da borracha. Um segundo encontro nacional, realizado em Rio Branco, firmaria a luta dos seringueiros. Os trabalhadores passam a contar também com diversos órgãos ligados a preservação ambiental, como o Instituto de Pesquisa de Entidades de Defesa a Amazônia – que fez diversas visitas aos seringueiros para conhecer a situação vivida pelos trabalhadores; o Coporé – Ação Ecológica do Vale do Guaporé e o Paca – Proteção Ambiental ao Cacoerência, do Município de Cacoal.
Nasce a OSR
Depois de mais de uma reunião, finalmente, em 90, é fundada no Estado a Organização dos Seringueiros de Rondônia (OSR) sendo eleitos para sua composição sete membros sem poderes específicos. A princípio, os membros deveriam se reunir a cada sete meses, nos anos seguintes os encontros se tornariam mensais. Manuel Teófilo – conhecido como Manduca, um do primeiro fundadores da OSR explica que nas bases comunitárias trabalhavam, nessa época, um engenheiro agrônomo, um sociólogo e dois biólogos que realizavam pesquisas de proteção ambiental e também prestavam auxílio social junto aos trabalhadores. Estes trabalhos de campo possibilitaram o acompanhamento nos primeiros sete anos do processo evolutivo das comunidades seringalistas em todo o Estado e permitiu a criação de diversas reservas extrativistas.
Em sua história mais recente, a luta é pela comercialização da borracha. A organização criou uma cooperativa que tem como função a implantação política-financeira da sociedade, a OSR iniciou a construção de uma usina para beneficiar a borracha, em Candeias do Jamari. Começa então, a próxima batalha dos seringueiros para vender o produto as grandes indústrias, como Pirelli e outras. A borracha bruta custa R$ 0,70 e o produto depois de beneficiado deve ser comercializado por R$ 1,50. o valor pode chegar a R$ 2,40 caso o Governo Federal passa a subsidiar o produção.
Luta pela preservação das reservas
Com a diminuição do efetivo da Polícia Florestal, em 99, os seringueiros passaram a enfrentar um problema: eles lutam agora para preservar as reservas extrativistas dos constantes ataques de madeireiros e apropriadores de terra e até de pescadores profissionais. Segundo informações de dirigentes da Organização dos Seringueiros de Rondônia, as invasões nas principais reservas ambientais têm sido constantes.
Representantes do Conselho Nacional dos Seringueiros denunciam frequentemente invasões de pescadores profissionais, no período do verão, em uma das maiores reservas extrativistas do Estado, a Pacaás Novos, em Guajará-Mirim. Os pescadores matam os animais por divertimento e os deixam jogados nas praias ou nas águas dos rios. A Pacaás Novos abriga mais de 40 famílias que exercem a atividade extrativista.
Mulher

A discriminação contra o trabalho desenvolvido pela mulher ainda pode ser sentida neste segmento. A mulher seringueira, presença constante nos seringais e também dona de casa, até hoje não foi reconhecida como real trabalhadora da atividade extrativista. Depois de anos de trabalho junto ao marido e os filhos na extração da borracha, enquanto estes últimos conseguem se aposentar, as seringueiras ainda lutam para conseguir amparo legal na velhice. 

(Apostila Profª Sônia Arruda)


Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...