quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

POVOAMENTO - A FORÇA DOS MIGRANTES

“Os migrantes trouxeram suas tradições e aqui criaram muitas outras, próprias de uma região onde impera a mistura das misturas brasileiras”


O processo de povoamento de Rondônia tem sua origem no começo do século XVIII, quando a coroa portuguesa realiza suas primeiras expedições na região do Alto Madeira e do Vale do Guaporé em busca de jazidas de ouro. Essas buscas proporcionaram o surgimento de povoações com a Vila Bela de Santíssima Trindade do Mato Grosso, no Rio Guaporé e Santo Antônio, no Rio Madeira. O declínio do Ciclo do Ouro, no inicio do século XIX provocou o abandono dos primeiros núcleos populacionais da região que seriam reinados em seguida com os Ciclos da Borracha, conhecida também como o “Ouro Negro”.
Imagem cedida pela Profº Jucélia
No ano de 1883, a região que hoje é Ji-Paraná já era povoada por nordestinos 
que chegavam na Amazônia para trabalhar nos seringais. A construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em 1907, daria continuidade a essa fase do processo migratório com a vinda de milhares de trabalhadores estrangeiros, destacando-se principalmente os negros oriundos de Bárbaros, Trinidad, Jamaica, Santa Lúcia, Martinica, São Vicente, Guianas, Granadas e outras ilhas das Antilhas.
Todos de formação protestante e idioma inglês que foram denominados de barbadianos. 
Muitos não retornaram aos países de origem constituindo família no Estado.

Povoamento e evasões

O Governo Federal realizaria anos depois a nacionalização da Madeira-Mamoré – oficial, pois, afinal a ferrovia sempre foi brasileira. Este procedimento tinha como meta impedir o êxodo urbano e rural que afetava os municípios de Porto Velho, Santo Antônio do Rio Madeira e Guajará-Mirim. O despovoamento regional era preocupante, um censo registra somente 590 habitantes na região do Alto Madeira.
As instalações das linhas telegráficas da Comissão Rondon alavanca um novo processo de ocupação migratória, com a vinda de migrantes do Mato Grosso, no período de 1920 e 1940. Durante a 2ª Guerra Mundial, no governo de Getúlio Vargas, acontece um novo incentivo a ocupação a ocupação da região em virtude da parceria firmada entre Brasil e Estados Unidos par a produção de borracha. Também nessa fase a migração nordestina foi a mais expressiva. Em 1945, o Governo Federal cria diversas colônias agrícolas com a intenção de evitar novamente o êxodo regional, esta tentativa não surte o efeito desejado. Os ciclos do Diamante e da Cassiterita, entre 1954 e 1958 e a pavimentação da BR-364  que coloca fim ao relativo isolamento do Estado, em relação às demais regiões do País, complementam o processo migratório.

Colonização espontânea

Em 60 inicia-se processo de colonização espontânea na região quando o Governo Federal considerou o Centro-Oeste do País como área prioritária para o desenvolvimento nacional. Nessa época a interferência oficial no processo de ocupação regional com a criação e implantação do Programa de Integração Nacional (PIN) pelo Decreto-Lei de nº. 1164 de abril de 1971. as terras de Rondônia passaram quase todas à jurisdição da União, que poderia distribuí-las indiscriminadamente no programa de colonização. O Incra começa então a disciplinar o assentamento desordenado dos colonos que procuravam Rondônia para se fixar através de dois projetos, o Projeto Integrado de Colonização (PIC) e o Projeto de Assentamento Dirigido (PAD). O primeiro PIC implantado foi o de Ouro Preto, na região onde se localiza Ouro Preto do Oeste, desmembrado do município de Ji-Paraná antigo distrito de Vila de Rondônia.
A partir da década de 70, o município de Porto Velho se torna recordista em crescimento populacional o que resultaria na década seguinte, numa explosão de expansão urbana com o surgimento das primeiras invasões na capital. Este movimento diferentemente do que aconteceu em anos anteriores, que era uma busca por riquezas naturais, desta vez a busca era de terras para a agricultura.
Chegavam em Rondônia mais de três mil famílias por ano. Esses migrantes, vindos principalmente do Sul do País, estavam prontos para trabalhar nos primeiros projetos de colonização do Incra – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. Os projetos eram o de Ouro Preto, Ji-Paraná, Vilhena, Sidney Girão e Burareiro. Entretanto o Incra não conseguiu efetuar o assentamento nem de um terço desses migrantes. Diretores do instituto alegavam que parte das verbas dos projetos foram transferidas para a área da Transamazônica, onde o fluxo migratório era bem maior. Foi o início dos problemas agrários na região, numa luta que levaria novamente a intervenção do Incra que mesmo assim não consegue controlar os problemas gerados pelas invasões. Esses projetos visavam o assentamento das famílias migrantes, a regularização fundiária nenhum de colonização realmente.
Começam em 74 os primeiros investimentos federais em Rondônia. É criado o Programa de Pólos Agropecuário e Agro-minerais da Amazônia ( Polamazônia que visava desenvolver quinze áreas previamente selecionada, colocando sob a administração da Sudam e da Sudeco que entrariam em operação somente no ano seguinte. O Estado recebe cerca de 8,5 milhões de dólares recursos que deveriam ser usados até 1978. no ano seguinte, o Polamazônia destina mais de 17 milhões de dólares para serem investidos nas áreas de transporte, indústria e desenvolvimento urbano.
( Texto apostila Profª Sônia Arruda)

2 comentários:

Profª Jucélia disse...

Oi Ana
Gostei da postagem, só tem um probleminha o nome é Jucélia e não Jocélia.
Parabéns pelo blog vc é 1000.
beijos.

Rondônia em Sala disse...

Ok, corrigido. Obrigada.

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