sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A atuação dos missionários na Amazônia nos séc. XVII E XVIII

        As missões e os fortes desempenharam papéis importantes no Vale do Amazonas quanto à expansão territorial e a conseqüente colonização. Contribuíram para fixar marcos da penetração portuguesa naquele território disputado por outros povos.

    Sempre de sentinela nas lonjuras do Vale estavam os fortes, instalados ao longo do século XVII: eram unidades pequenas, com poucos homens e escassas peças de artilharia. Isto, entretanto, não era empecilho para que enfrentassem os ataques freqüentes de estrangeiros ou de nativos.

O Forte de Nassau localizava-se na margem esquerda do rio Xingú, próximo à sua confluência com a margem direita do rio Amazonas, no interior do estado do Pará, no Brasil.
        Em 1669 ergueu-se o forte de São José do Rio Negro, evitando que espanhóis descessem pelo Rio Amazonas. Os fortes do Paru e Macapá, fundados em 1685, visavam impedir a passagem dos franceses da Guiana.

Os fortes de Orange e Nassau serviam de base para o contato e comércio com indígenas, bem como para que se desse início de plantio de cana-de-açúcar e tabaco. 
Forte de Orange
Construído pelos holandeses em 1631 foi destruído numa batalha e
Reconstruído pelos portugueses em 1654
Hoje é uma das atrações da ilha de Itamaracá no litoral note de Pernambuco em Olinda



       As ordens religiosas chegaram em épocas diferentes à região. Por exemplo: os carmelitas, em 1627, e os jesuítas, em 1636. Deparavam-se, porém, com os mesmos obstáculos como a competição entre os colonos e entre as próprias ordens religiosas pelo "direito de administrar o indígena", visto tanto como mão-de-obra quanto como fiel servo de Deus.
   A disputa acirrada entre as ordens exigiu a intervenção governamental.
 Na tentativa de resolver esta contenda, que envolvia também a ocupação do Vale Amazônico, inúmeras Cartas Régias fixaram as áreas de atuação das ordens. Os franciscanos de Santo Antônio receberam as missões do Cabo do Norte, Marajó e Norte do Rio Amazonas; à Companhia de Jesus couberam as dos Rios Tocantins, Xingu, Tapajós e Madeira; os franciscanos ficaram com as da Piedade e do Baixo Amazonas, tendo como centro Gurupá; os mercedários com as do Urubu, Anibá, Uatumã e trechos do Baixo Amazonas; e os carmelitas com as dos Rios Negro, Branco e Solimões.

      Nos anos finais do século XVII as missões religiosas cobriam grande parte do espaço que viria a constituir a atual região amazônica brasileira.
FORTE DO PRESÉPIO = BELÉM/PA.


     O papel do indígena na ocupação do Vale do Amazonas era de extrema importância. Não se dava um passo sem ele, pois conhecia o território, sabendo se movimentar naquela área desconhecida pelo europeu.

     Os nativos eram os guias pela floresta ou pelos rios. Canoeiros, conduziam as embarcações nas longas expedições fortemente escoltadas, em meio a milhares de quilômetros, pelos cursos emaranhados d'água. Eram também caçadores, identificando a variada fauna, e coletores das "drogas do sertão", pois conheciam como ninguém a flora local.


      A coleta se organizou no Vale sob a coordenação dos missionários. Os padres, que monopolizavam o trabalho indígena, usavam um artifício para que os nativos extraíssem elementos da flora em grande quantidade. Alegavam que, além das partes destinadas aos adultos, aos velhos e às crianças, deveriam extrair outra, destinada a Tupã. Esta fração - "Tupã baê" - acumulada nos depósitos das missões, era, posteriormente, exportada para a Europa onde seria comercializada com grande lucro.

      Conduzido pelos nativos, o "homem branco" penetrava pelo coração pulsante da mata espessa, formada por imenso e heterogêneo verde, onde não bastava querer para efetivamente ocupar. Era uma tarefa complexa, em meio a terrenos submetidos a chuvas constantes que provocavam um aumento no nível das águas que, por sua vez, arrastavam e deslocavam grandes porções de terra próximas aos cursos dos rios. Por conta disto, a exploração detinha-se no que a floresta oferecia e possibilitava espontaneamente.

       O isolamento de alguma canoa significava extremo risco; por isto, iam em grupos pelos igarapés, sob a copa de árvores gigantes, geralmente de folhas largas, cercados pelo silêncio cortado pelo zumbido dos insetos e pelo canto das aves. Assim, pouco a pouco, estes aventureiros divisavam, no lusco-fusco da floresta equatorial, um vale repleto de diferentes espécies animais e vegetais vivendo em equilíbrio.

 Pelos cursos d'água - "estradas líquidas, segundo o historiador Caio Prado Júnior -, vias de comunicação natural, iam sendo coletadas especiarias diversas, aproveitadas e utilizadas no comércio: plantas alimentícias e aromáticas como cravo, canela, castanha dita do Maranhão, salsaparrilha, cacau etc. 

Também eram extraídas madeiras valiosas e produtos de origem animal, desconhecidos, como uma espécie de óleo utilizado na alimentação e na iluminação, obtido dos ovos da tartaruga, ou o "manacuru" (peixe-boi), exportado salgado e seco.
        Aos olhos dos colonizadores, o Vale Amazônico apresentava-se com possibilidades incalculáveis, inclusive dando a impressão de que seus produtos podiam substituir as especiarias das Colônias perdidas no Oriente.

      A colonização que ali se impôs, portanto, fundamentou-se nas atividades extrativas, compondo um sistema original e peculiar que constituiu e marcou a vida econômica da região.
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Pesquisa 2,0 ptos - entregar em uma semana:

Atividade: Faça uma pesquisa em sua família e descubra:

       1.           Qual o parente que veio primeiro para RO.?
(Por que veio" - De onde vieram - era solteiro ou casado - qual foi  meio de transporte utilizado)

2.              Em que ano chegaram em RO.? 
(como eram as estradas - as cidades - o mais impressionou)

3.              Por que vieram para RO.? 
(buscavam por terras para plantações, criação de gado - garimpo - comércio - emprego)

4.              Conseguiram o que queriam?
 (o sonho se realizou - conquistaram o que buscavam - o que deu errado - o que deu certo - houve mudança de planos - como estão hoje")

A partir das resposta elabore um texto, se for preciso reescreva-o quantas vezes  for necessário.



Um comentário:

michele disse...

Olá, gostaria de saber a referência utilizada na elaboração desse texto. Obrigada

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