terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Teixeirão - último Governador do Território e primeiro do Estado.

Belmont, manhã de 10 de abril de 1979. Desembarca em Porto Velho o general Jorge Teixeira de Oliveira, governador de Rondônia por determinação do então Presidente da República, João Baptista de Oliveira Figueiredo. Como se já soubesse que aquela seria a maior personalidade política do século no Estado, o povo recebe Teixeira com uma grande festa. Na recepção, muitos amazonenses que haviam sido governados por ele. Emocionado, Jorge Teixeira discursa: “São passagens como essas gratificam o homem público e fazem com que a gente se sinta com maior disposição para a luta”.

Funcionários da Prefeitura de Manaus entoaram um hino como agradecimento ao trabalho do coronel. Perplexo com a manifestação Teixeira pergunta: “Muito bem, muito bem, mas será que não tinha nada pra vocês fazerem hoje lá?...”.
Jorge Teixeira, que agradara tanto o povo manauara, chegava à Rondônia com a missão de transformar o Território em Estado. Logo propôs a criação de novos municípios. Missão ou não, o fato é que Teixeira foi bastante dinâmico na operacionalização dos recursos injetados no então Território Federal, dando-lhe numa estrutura administrativa, social e política.

Ao tomar posse, Jorge Teixeira de Oliveira, definiu seu plano de trabalho e as metas a serem atingidas: asfaltamento da BR-364, inclusive o trecho que liga Porto Velho a Guajará-Mirim; construção da hidrelétrica de Samuel; transformação de novos aglomerados ou vilas em municípios, incentivando o pequeno e o médio produtor rural e, finalmente, transformar Rondônia em Estado.
As promessas do governador foram colocadas em dúvida. Os oponentes ao seu governo iniciaram uma campanha de descrédito junto à opinião pública e, em pouco tempo, até os auxiliares recriminavam os discursos de Teixeira – “O homem fala demais. Prometer é fácil, cumprir é que são elas”.
As críticas continuavam. Havia questionamentos do porquê Jorge Teixeira não “arrumou a casa” em seis meses. Os maliciosos: “em Manaus era o Teixeirão, aqui é o Teixeirinha”, numa alusão ao cantor de música sertaneja.
Realmente, no primeiro ano de governo, o coronel mal conseguiu acabar com a teia de intrigas que existia nos muros palacianos. Triste herança deixada pelo antecessor.
Teixeira prometeu que o Governo Federal criaria novos municípios em Rondônia antes de 1982, embora a lei de outubro de 1977 desautorizasse tal afirmativa. Correndo contra o tempo, Teixeira levava pessoalmente suas justificativas ao Ministro da Justiça e do Interior. As muitas viagens eram motivo de pesadas críticas da oposição, tanto no Congresso Nacional quanto nas câmaras municipais de Porto Velho e Guajará-Mirim. Teixeira estaria esbanjando mordomias em rodadas de uísque e não procurando resolver os problemas de Rondônia.
No dia 16 de junho de 1981, foi levada à sanção do presidente João Figueiredo, a Lei 6.921 que autorizava a criação dos municípios de Colorado do Oeste, Espigão do Oeste, Presidente Médice, Ouro Preto do Oeste, Jaru e Costa Marques.
A criação daqueles municípios dentro do prazo que fora preconizado pelo governador, lhe devolvia a credibilidade com o povo. Outras promessas também foram compridas.
Já naquela época, empreiteiras montavam canteiros de obras ao longo da BR-364, para início do asfaltamento. Era a obra mais esperada pela população do Estado. O feito parecia tão impossível aos adversários que, mesmo com as máquinas desfilando na estrada em busca de local de trabalho, ainda haviam quem negasse a vitória do governador junto às autoridades de Brasília.

Governo itinerante

Como homem e administrador atuante, perfeitamente identificado com o povo, Jorge Teixeira estabeleceu um governo aberto às aspirações da população na busca de soluções para os problemas decorrentes do acelerado processo de desenvolvimento. Criou então o “Governo Itinerante” e diminuiu a distancia entre os membros decisórios e administrativos do governo a das comunidades. O governo não ficaria mais confinado na capital, mas instalado também nas cidades de Ouro Preto, Cacoal, Vilhena e Costa Marques. Não havia projeto de colonização e nem linhas ou glebas que não conhecessem pessoalmente o governador Jorge Teixeira. Foi a primeira vez na história Rondônia, que um político desceu do “pedestal” para se juntar ao povo.

Os planos do governo Teixeira não era segredo para ninguém. Os trabalhos eram desenvolvidos num perfeito espírito de comunidade estimulando, inclusive, o povo a participar diretamente das ações governamentais. Essa harmonia administrativa encorajou os colonos a fazerem um mutirão, oportunidade em que a própria comunidade agrícola se integrou ao governo na construção da estrada que permitiam o escoamento de seus produtos para o mercado consumidor.
Jorge Teixeira de Oliveira faleceu, aos 63 anos de idade, na cidade do Rio de Janeiro, no dia 28 de janeiro de 1987. Sonhava voltar a governar Rondônia, eleito pelo povo.

(Texto da apostila da Prof. Sônia Arruda)

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